O PT e as alianças no parlamento em um contexto de golpe

"A esquerda vai meter o pé na jaca?", de Breno Altman. Em 09/01/2017- A narrativa primordial dos partidos de esquerda está marcada pela denúncia de golpe parlamentar que deu origem a um governo usurpador, cujo objetivo primordial é destruir conquistas históricas do povo brasileiro, atropelando a Constituição e o regime democrático. Como essa tese poderia continuar a ser tratada com seriedade se PT e PCdoB apoiarem nomes representativos do golpismo, batendo palmas e arregimentando votos ao lado das  principais lideranças reacionárias e dos chefes governistas? 
"A (triste) profecia do PT: do colégio eleitoral de 1985 às eleições indiretas de 2017 ", de Josué Medeiros. Em 11/01/2017 - O que temos para 2017, portanto, não é apenas uma discussão sobre burocratização do PT, sobre seu afastamento das lutas e sobre as possibilidades de reoxigenar esse partido que é patrimônio da esquerda brasileira. Trata-se do risco real de vermos o PT se tornar parte de um sistema político antidemocrático cujo sentido estratégico é a retirada de direitos e a manutenção dos privilégios das elites, exatamente como ocorreu com o PCB na redemocratização, quando a necessidade, legítima, de fazer parte no sistema político fez os comunistas se colocarem contra as greves e contra parte das lutas sociais daquele momento.
"É legítima e consequente a participação do PT nas Mesas da Câmara e Senado", de Tereza Cruvinel. Em 12/01/2017  - Há uma diferença crucial entre participar do jogo parlamentar formal, entre  apoiar um candidato golpista, numa composição que leva em conta a proporcionalidade, e o alinhamento político ou ideológico. Traição inominável seria o PT apoiar a PEC 55, votar a favor da mudança na regra do pré-sal e demais medidas regressivas do governo Temer, ao lado dos que derrubaram Dilma e puseram fim ao ciclo de governos populares liderados pelo partido. Na primeira vice-presidência do Senado ou na primeira-secretaria da Câmara, por exemplo, terá o PT, ou o PC do B, parceiro no dilema, muito melhores condições de influenciar na agenda parlamentar e de organizar a resistência ao tropel do atraso que está em marcha.
"O PT e as eleições das mesas do Senado e da Câmara", da senadora pelo PT Gleisi Hoffmann. Em 12/01/2017  - Vivemos um período de anormalidade política e democrática. Ignorar isso, fazer acordo nessa conjuntura, é avalizar o golpe e a desconstrução do Estado de Bem Estar Social Mínimo construído a partir da Constituição de 1988. A garantia do espaço nas instâncias de cada Casa Legislativa, a que deveríamos ter sempre direito, não pode ser a condutora do nosso posicionamento político. O que deve nos mover é a defesa intransigente do Estado Democrático de Direito e a denúncia da covarde destruição de conquistas trabalhistas e sociais mínimas que estão sendo patrocinadas pelo governo do golpe e seus apoiadores.
"PT, mostre a sua cara",  de João Vicente Goulart. Em 14/01/2017  - A movimentação de alguns deputados do PT, Vicente Cândido, José Mentor, Luis Sergio e Carlos Zarattini, por exemplo, pululando no ar do gabinete de Rodrigo Maia, nos traz a impressão clara que esta posição pragmática, em torno de cargos da Mesa Diretora, fará com que, um acordão venha acontecer nos bastidores daquele que outrora fora o grande Partido da Esquerda.
"A grande e a pequena política nas eleições do Senado e da Câmara", do Senador pelo PT Lindbergh Farias, em 18/01/2017  - A nossa atuação no parlamento tem que ter um foco de identidade com a voz das ruas. Temos que falar mais para fora - a sociedade - que para dentro. A nossa atuação tem que ser instrumento de agitação para levantar amplos setores da sociedade contra este governo e seu projeto nefasto. Nos termos de Gramsci, uma nova hegemonia contra o neoliberalismo e o governo Temer, uma nova ética política só será constituída se privilegiarmos mais atuação na sociedade civil que na sociedade política (o Estado).
"Que fazer?",  Senadora pelo PT Fatima Bezerra, em 17/01/2017  - "Em um momento de acirramento da disputa de classes, golpe de Estado e criminalização da luta popular, do PT e de suas principais lideranças, torna-se cada vez mais nítido que conciliar com os algozes da democracia é caminhar para o suicídio político e se afastar cada vez mais da base social que pode forjar na luta um novo projeto de nação."